02 – Clima e Finanças

No episódio de hoje entrevistamos João Reis, activista do climáximo e com um percurso ligado à economia e finanças, para falar sobre o papel da industria financeira na crise climática.

Desde 2016, quando o acordo de Paris foi implementado, até ao final de 2018, os bancos canalizaram 1.900.000.000.000 de dólares para exploração de combustíveis fósseis, isto é, 1,9 biliões. Só entre as 15 maiores gestoras de activos a nível global, que gerem directamente cerca de 20% do valor total de mercados de capitais, encontramos acima de 4,81 biliões de dólares aplicados em sectores como automóveis, gás, petróleo e produção eléctrica via carvão. No caso do Banco Central Europeu, mais de 60% das compras de obrigações do BCE de empresas correspondem a sectores industriais, de produção eléctrica e da exploração de gás, correspondendo estas a 58,5% das emissões de gases com efeito de estufa – indústrias que representam apenas 18% do valor bruto acrescentado, ou seja, a contribuição para a economia.

Este ano, o Fórum Económico Mundial em Davos (21 a 24 de Janeiro) “celebra” os seus 50 anos, sob o tema de sustentabilidade. No meio de uma emergência climática, este aniversário só serve para relembrar o papel das instituições financeiras nas últimas décadas ao alimentarem, perpetuarem e aprofundarem as injustiças sociais e climáticas no mundo.