#10. Defender a floresta

Florestas, guardas florestais e sapadores bombeiros profissionais

Cadastro rústico, diversificação de espécies para proteger o território, as populações e os solos, guardas e vigilantes para defender as florestas, sapadores e bombeiros profissionais

As florestas têm o potencial para serem grandes sumidouros de carbono. No entanto, as alterações climáticas aumentam a frequência e a força dos incêndios florestais, tornando em alguns momentos as florestas em grandes emissores. Para evitar esta tendência crescente, precisamos modificar a composição da floresta em Portugal, que é um exemplo mundial de desordenamento, destruição e artificialização do espaço rural. Para isso, necessitamos antes de mais de um cadastro rústico para conhecer com precisão a área florestal e os níveis de abandono da mesma, para podermos actuar sobre este abandono que actualmente se verifica e aplicar regras claras e modelos de gestão colaborativa que permitam melhorar rendimentos, diversificar as espécies presentes e garantir que as florestas resistem a um clima mais quente e seco. Sabemos que espécies devem estar em que territórios e sabemos também quais as previsões climáticas para esses territórios no futuro, pelo que a articulação destas informações deve guiar o ordenamento do território a partir de agora, interditando florestas de produção em zonas especialmente aptas à conservação e favorecendo espécies que sejam úteis para o território e as populações no futuro, com vista à preservação dos solos e da água e, sempre que desejável, potenciar o seu uso múltiplo. Simultaneamente, precisamos de muitos mais empregos ligados à floresta, incluindo mais guardas e vigilantes florestais e sapadores bombeiros profissionais pagos pelo Estado, uma vez que a gestão e preservação dos recursos florestais em Portugal continuam a ser cruciais para a sobrevivência das populações locais.

Com estes empregos, pretendemos aumentar a fixação de carbono nos solos, com florestas diversas com espécies com grandes rotações, abandonando a aposta de sentido único no eucalipto e no pinheiro. Consideramos que isto não só permite cortar emissões e reduzir incêndios, mas também contraria o abandono dos territórios interiores, pese embora haja a necessidade de investirmos na renaturalização de áreas para a vida selvagem com presença humana reduzida para garantir o retorno de espécies como o lobo ibérico ou o urso-pardo.

Empregos necessários

Guardas e vigilantes florestais

Sapadores bombeiros profissionais

Técnicos e operacionais gestores de sistemas florestais e agro-florestais

Financiamento

Estima-se que os custos anuais dos incêndios florestais em Portugal estão perto dos mil milhões de euros por ano. Não contamos, obviamente, com o custo não monetarizável da perda de ciclos naturais sustentáveis e menos ainda da perda de vidas humanas.

Por outro lado, em termos meramente económicos, os desastres climáticos custaram-nos 700 milhões de euros em 2017. Por estas razões, deve-se enquadrar melhor o que significa “pagar” neste caso.

Os usos do território rural incompatíveis com as suas características edafo-climáticas deverão ser objecto de uma penalização fiscal em função do impacto da utilização em causa. Os proprietários poderão evitar tais penalizações integrando as propriedades em unidades de gestão e ordenamento previstas por lei ou adequando de forma verificável os usos às condições do território. As receitas obtidas através destas taxas deverão ser consignadas à compra de terrenos por parte do Estado de modo a aumentar a diminuta área pública florestal.

Serão precisos dezenas de milhares de pessoas para o trabalho necessário nesta área. Esta medida é directamente ligada à criação dos Empregos para o Clima, pelo que incluímos o seu financiamento no financiamento da própria campanha.