TUED Working Paper #12: A estrada menos percorrida

Recuperar os transportes públicos para uma mobilidade adaptada ao clima

Para que haja alguma hipótese de atingir as metas internacionalmente aceites e cientificamente provadas para evitar o aquecimento global, as emissões provenientes dos transportes têm de ser travadas imediatamente – e deverão diminuir anualmente, em vários pontos percentuais, durante as próximas décadas. Os transportes públicos podem dar uma contribuição vital para atingir estas metas, mas reconhecer o seu potencial requer uma mudança radical nas políticas.

Swan Sweeney and John Treat

Este artigo examina algumas das questões-chave centrais aos debates sobre os transportes, sob a perspetiva climática, e em torno do transporte rodoviário de passageiros em particular. Em análise estão também algumas das questões em torno do transporte público, especificamente, e o fracasso da política neoliberal no setor dos transportes em melhorar e expandir o transporte público, de forma a concretizar todo o seu potencial social e ambiental.

Parte Um: Mobilidade Crescente: Tendências de Transporte, Energia e Emissões

Na “Parte Um” deste artigo, pesquisamos as tendências atuais em energia, transportes e emissões. Apesar de as emissões continuarem a crescer em toda a economia global, as emissões relacionadas com transportes estão a aumentar a uma taxa mais elevada do que em outros setores principais. Hoje, os transportes são responsáveis por aproximadamente um terço da procura final de energia e cerca de dois terços da procura de petróleo. É ainda responsável por quase um quarto das emissões globais de dióxido de carbono (CO2) provenientes do uso de combustível. Isto significa que controlar e reduzir as emissões de CO2 de automóveis, camiões e motociclos deve tornar-se uma prioridade política.

Parte Dois: Política Neoliberal de Transportes e Climática na Encruzilhada

Nesta parte, analisamos o panorama político, incluindo a abordagem das emissões provenientes do setor de transportes no Acordo Climático de Paris – que foi quase nula. Demonstramos que a política climática neoliberal falhou em realizar um verdadeiro progresso a respeito das emissões provenientes do transporte, ao mesmo tempo que impediu o transporte público de executar o seu potencial, principalmente devido à insistência num modelo de “parceria público-privada”, num esforço fútil para “desbloquear” o investimento privado.

Parte Três: O Carro Elétrico – Mitos e Realidades

Nesta parte, sumarizamos os mitos e realidades à volta dos carros elétricos, e destacamos alguns dos principais problemas associados à sua possível implementação em massa. Mostramos que suposições comuns sobre o papel dos veículos elétricos privados no futuro da mobilidade sustentável não são consistentes com o que está realmente a acontecer, com o que provavelmente acontecerá no futuro, ou mesmo com aquilo que é possível ou desejável, do ponto de vista sindical.

Parte Quatro: Dominando as Empresas de Transporte Individual a partir de Plataforma Eletrónica (TVDE): da “Uberização” à Mobilidade Urbana Melhorada para Todos

Na “Parte Quatro”, olhamos para o aumento das empresas de transporte privado por plataforma eletrónica e outros desenvolvimentos e tendências no transporte urbano. Esta nova tendência veio desencadear um debate global sobre “novos serviços de mobilidade”. Nesta parte do artigo, argumenta-se que atualmente estas empresas prejudicam os sistemas de transporte público e contribuem para o congestionamento do tráfego, aumentando muitas vezes as emissões. Mas as mesmas “plataformas tecnológicas” que nos deram a Uber e empresas semelhantes podem ser integradas nos sistemas de transporte público, de maneira a complementar as formas tradicionais de transporte público urbano, reduzindo a dependência de veículos privados.

Parte Cinco: Mecanismos de Mudança: Uma Agenda Sindical para Mobilidade Urbana de Baixo Carbono

Finalmente, sintetizamos alguns dos argumentos relacionados com o clima que os sindicatos podem usar na sua luta para defender, expandir e melhorar o transporte público. Acreditamos que estes argumentos são consistentes com os valores e prioridades de muitos sindicatos de transportes e com o sindicalismo progressista em geral.

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Os autores esperam que este artigo incentive os sindicatos que representam os trabalhadores em todos os setores a aprofundar as discussões sobre o futuro do transporte – para que se juntem à discussão sobre como o transporte público pode e deve ser, no futuro, e o que é necessário acontecer para concretizar essa visão.

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